Igreja

A Igreja da Misericórdia era designada, até 1834, por Capela ou Igreja da Nossa Senhora dos Pobres, como o Hospital a que pertencia. Nessa altura, com a extinção das ordens religiosas, a Casa da Misericórdia e a sua Igreja, transferiram-se para o edifício hospitalar e religioso, em substituição dos frades agostinhos. Até aí, funcionavam no local onde mais tarde se construiu a Caixa Geral de Depósitos.

Não se sabe ao certo a data da construção da antiga ermida, o que segundo alguns autores deve ter ocorrido no início do séc. XV, mas não exixtem testemunhos dessa época. Do séc. XVI, temos o pórtico e cruzeiro (classificados como Monumento Nacional em 1924 – decreto nº 9842, de 20 de Junho) e talvez uma pedra (que teria função diferente) incrustada na parede da sacristia, já que a janela sobre o portal parece ser um “pastiche”.

Sobre a janela, existe um nicho muito simples onde figura uma imagem da Virgem de vulto perfeito, a que erradamente lhe é atribuída a invocação de Nossa Senhora do Ó, pois não tem nenhuma dessas características.

O pórtico, de estilo manuelino radiado, tem no seu arco cordame no emolduramento tripartido. As colunas para além do dito cordame, apresentam elementos vegetalistas de desenho e lavrado diverso.

O cruzeiro, no segundo degrau da escadaria, mostra numa das faces a Virgem e o Menino, voltada para a Igreja, e, na oposta o Senhor Crucificado.

Este cruzeiro já esteve colocado no adro da Igreja, quando não existia a escadaria central mas duas laterais, e, anteriormente situava-se na rua junto ao acesso à escada do lado norte, quando o traçado não era o atual, ou seja até fins do séc. XIX.

Fachada

Fachada do Hospital da Misericórdia

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Fachada do Hospital da Misericórdia

cruzeiro

Alinhamento da Avenida Marçal Pacheco, com a localização do cruzeiro até aos fins do Séc. XIX

A Igreja de nave única, tem paredes brancas e o tecto, coro e sua escada de acesso em madeira castanha escura.

O retábulo do altar-mor, com a abóboda de berço, ocupa toda a cabeceira. Datado de 1700 e da autoria de João Batista Severino, foi uma das primeiras manifestações do barroco da fase nacional no Algarve.

Em talha dourada e policromada, destacam-se as folhagens de acanto, as parras e cachos de uvas, as flores, os meninos e os frutos regionais. É de planta plana, corpo único, três tramos com quatro colunas pseudo-salomónicas e ático de arco pleno salomónico. O camarim central, o trono e a restante decoração do ático, sofreram algumas alterações, talvez pelos estragos do terramoto de 1755, daí a cartela assinalar a data de 1764, a rematar a citação do salmo, referente à proteção dos pobres.

Altar Mor

Altar-mor

No corpo da Igreja os dois altares, um de cada lado do arco triunfal, são do final do séc. XVIII. A fechar o arco e esculpidas em calcário da região, distinguem-se as quinas de Portugal e armas dos Gusmões, encimadas pela coroa real.

Nos anos cinquenta do séc. XX os três altares foram repintados de branco, azul e purpurina, o que lhes conferiu um aspeto bastante anacrónico. Mais tarde, o chão da Igreja também foi substituído, quando ali funcionava a casa mortuária de Loulé.

A sacristia, hoje de sala única, tem duas portas de entrada do séc. XVIII, também repintadas, assim como o altar que aqui se encontra. O seu alçado levou uma aguada de tinta branca, pelo que nos permite “espreitar” a pintura original. O Senhor Crucificado em escultura de vulto, ali pendurado, foi limpo em 2014. É provável que sejam dos finais do séc. XVIII e que o seu lugar primitivo tivesse sido outro.

crucificado

O Senhor Crucificado

A “Pedra de Armas” e o retrato a óleo sobre tela do Pe. J. Aguiar Ribeiro também estão nessa sala, assim como uma bonita mesa em mármore polícromo, e, uma pia de água benta encimada por uma pedra atrás referida.

pedra

“Pedra de Armas”

retrato

Retrato a óleo sobre tela do Pe. J. Aguiar Ribeiro

Em 2012 iniciaram-se as obras de requalificação e preservação do imóvel. Foi substituído o telhado, o tecto, o coro e o guarda-vento, por se encontrarem irrecuperáveis, procurando manter o mesmo tipo de madeira, traçado e cor. A escada de acesso ao coro foi construída de raíz, porque antes das obras no edifício hospitalar, a entrada no coro era feita por cima, pelo Hospital, e não pela Igreja, como agora.

O retábulo do altar-mor começou também a ser intervencionado, nessa altura, procurando desinfestar, limpar, consolidar e retirar as pinturas e materiais estranhos, para deixar transparecer a talha onde ainda existe folha de ouro, corladuras e veladuras da sua policromia original, e, procurar fixar e repor volumes em falta.

Este restauro ficou concluído em Setembro de 2015. Atualmente, decorrem os trabalhos de limpeza, conservação e restauro dos frontais das três mesas de altar.

Altar Mor

Altar-mor

sacrario

Sacrário

Foram limpas cinco imagens de vulto perfeito esculpidas em madeira; três bandeiras e o retrato do Pe. J. Aguiar Ribeiro em óleo sobre tela; duas pinturas sobre tábua e um sacrário com a porta em talha dourada.

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